Magnólia

Congratulações não servem pra mim.
Condescendo mais com o amor e menos com o ódio,
Mais com mato e nem tanto com asfalto.
Um dia hei de merecer mais abraços e não tanto espaço,
O silêncio que diz mais que a fala,
A mala que sai em viagem para nunca mais voltar,
A matula que contém apenas o essencial.
Benquerença e menos angústia.

Dê-me magnólia!
Rosas são muito belas e cobiçadas, não as quero.
Quero magnólias!
Bálsamo desconhecido,
A pétala sedosa, suave aos olhos,
Ordinária aos distraídos e desavisados.
No entanto, lá permanece, há séculos;
Enquanto árvore, cria raízes,
Arbusta-se quando pertinente e,
Quando buquê, revela sua volúpia e venustidade.
Magnólia, magnânima...

Camila Oleski

Melodia derradeira

Desperto com seu corpo colado ao meu
Seu cheiro devasso;
Deleito-me em sua boca sagaz
A língua que passeia no meu céu
Mãos fustigam minha pele
Embevecidos corpos ardentes
Horas que penso, segundos
Meu despudor em seu corpo suado
Lascivos na penumbra daquele quarto,
Que ouvia o gemido do seu prazer revelado em gozo
Melodia derradeira para um dia de saudade.

Camila Oleski

PATUÁS E PACTOS

Cansada de patuás e pactos
De conversinhas e versinhos
De pensar e hiperventilar
Acabo com a angústia já
Virarei sabiá
Que acaba por cantar e achar sons à meia noite
Sem açoite
E mais quinhão
No turbilhão das tempestades
Sem castidade
Mais paixão


Camila Oleski

MAIO/2014

Democracia demagógica

Na veia da humanidade,
Correm rios de (in)capacidade
Na casca da terra, o homem corre moendo
O fecundo mar morre lenta e gradativamente
O doce rio, onde, antes, nadavam meus avós, agora está pintado de lama
Alegria foi entristecida pelo igual, exatamente pelo mesmo, tédio
Hipocrisia sólida
Democracia demagógica
Demografia manobrável
Os escravos são pintados de cidadão
Cavadas famílias felizes
Dores no peito, solidão na casa cheia
Atos de memória vazios
O que fica, isso sim é permanente,
É conhecido: dor e tristeza.

Camila Oleski

Deitada em seu peito


Deitada em seu peito
Achei a felicidade
Deitada em seu peito
Cortejei o amor
Deitada em seu peito
Estou em casa

Meu peito,
Puído pelas tantas dores e
marcado pelos dissabores e desamores
É preenchido agora,
Mesmo na distancia que se tornou nosso sobrenome,
Deitada em seu peito

Pude ver as estrelas,
Mandacarus nas pedras,
Água salgada
Pude ver palavras de amor e
Dentes sorrindo
Deitada em seu peito

Um coração calmo
Cheio de borboletas
Flores coloridas
Bem querer

Navego por mares desconhecidos
Lugares nunca vistos
Sentimentos nunca vividos

Deitada em seu peito
Agora e depois
Um universo me espera
Uma vida que se constrói
Duas vidas estão ligadas
E hão de morrer assim.

Camila Oleski

Borboleta emplumada

Acordei e vi
Vento jogado no jardim de girassóis
Borboleta emplumada secando o azul do céu
Fadas fazendo sorrisinhos pintavam música com gosto laranja
Na terra, os pés boiavam gastando sola
Mãos que molham o jardim e o cheiro de mato molhado invade o pensamento ausente
A lembrança cai no chão batido e dela brotam mudas de felicidades coloridas
Borboleta emplumada, abelhas fumegantes e beija-dores querem sentir o gostinho daquelas felicidades novas.
É bom!
Deliciam-se...

Camila Oleski

Amálgama


A minha estação é o inverno permanente...
Moro nos montes gelados.
Meu peito é um castelo cujas muralhas não possuem janelas, seteiras ou mesmo portas.
Apenas o frio que corta.
Tão frígida quanto a nevasca que despenca sobre a cidade prestes a ser soterrada, apresento-me diante da vida.

Mas você chegou com a primavera.
Coloriu meus dias,
Plantou palavras e regou meus sonhos.
O inverno encontrou a primavera numa amálgama inusitada.

O inverno é uma velha fria e arrefecida de mágoas
Em cujo solo brotam apenas ervas daninhas
E a primavera, perfumada como os campos de lavanda,
Colorida feito flores do campo
E sedutora como as orquídeas

Ambos se apaixonaram
O inverno, com o álgido toque e sorriso que há muito não se abria, permite que o cinza dos dias de solidão sejam envolvidos pelo esplendor de cores.

Você chegou quando meus olhos só achavam casa nas palavras daquele livro de amor
Meus olhos agora têm os seus
Minhas mãos tocam nas suas como se o amanhã,
que chega com a saudade de mala pronta,
não fosse nascer.
Você chegou e me aceitou como sou:
No meu inverno congelante, você conseguiu achar uma flor que resiste ao frio
Quero você, meu bem, do jeito que é.

Camila Oleski

A última notícia

A última notícia que tive de mim foi de você  Que me disse que eu havia me perdido  E que achava que eu não podia ir tão longe Mas fui ...